Precisamos de uma revolução
As pessoas nunca se sentiram tão solitárias como se sentem atualmente. Estamos quase todos depressivos, ansiosos ou em busca de um sentido para a vida. Um que não seja o ciclo aprisionante de trabalhar, estudar, pagar as contas e receber validação nas redes sociais.
Tentamos manter a sanidade usando drogas sob prescrição médica ou as consideradas ilegais. Todo mundo conhece alguém (ou é) viciado em açúcar ou cocaína. Praticamos yoga, meditação, treinos funcionais. Usamos melatonina para dormir, e café para acordar. Tentamos o veganismo, apps de relacionamento, novas séries na TV e dietas low-carb. Na mesma semana em que o governo libera mais agrotóxicos nos alimentos, comemos fast-food, usamos chocolate como antidepressivo e álcool para aliviar. Nossos amigos já não nos compreendem como antes: é possível que nosso jeito de pensar tenha mudado, ou simplesmente precisamos fazer novos amigos. Ninguém parece ser interessante. Ou, talvez, a gente é que não seja tão interessante.
A destruição da floresta Amazônica tem se intensificado desesperadamente, as abelhas estão morrendo, o efeito estufa está aumentando, as geleiras derretendo, e há uma intensa proliferação de fake news e discurso de ódio disfarçado de liberdade de expressão. Estamos anestesiados lendo nos jornais que a desigualdade social está aumentando, enquanto os bancos lucram mais a cada ano.
Enquanto isso, o Show de Truman não é mais ficção. Nossos celulares e computadores estão ouvindo e gravando as nossas conversas. Nossos dados estão sendo vendidos, e os nossos rostos virtualmente mapeados para reconhecimento facial do governo, um Big Brother para o qual não nos inscrevemos.
O que fica evidente é que o atual sistema social e político são apocalípticos. Nos foi prometido um futuro com carros voadores, teletransporte, viagem no tempo, avanço na medicina, contato com extraterrestres, desenvolvimento de inteligência artificial e, consecutivamente, a evolução da espécie humana. Porém, falhamos miseravelmente. Não quero parecer pessimista, mas sem saúde mental e com a destruição da natureza, estamos todos fodidos. Talvez “a revolução não será televisionada”, mas ela precisa acontecer o mais rápido possível. Se não cuidarmos do presente, não haverá futuro. O alarme está soando, acorde, isso não é uma simulação. Precisamos de uma revolução.