Sou um grande fã de filmes de ficção científica e sempre imaginei como seria um mundo apocalíptico, no qual as máquinas conquistassem o poder e, consequentemente, aprisionassem as mentes e corpos da humanidade, assim dominando ou extinguindo aquilo que conhecemos como civilização. "Hasta la vista, baby", já nos dizia o Exterminador do Futuro há mais de 20 anos.
O que poucos se dão conta é que isso já pode estar acontecendo agora mesmo, com a proliferação das fake news nas redes sociais e o impacto desastroso que elas têm causado, não somente nas eleições políticas, mas também nas relações interpessoais. Aliado a isso, ainda há o fato de que a internet, por meio das redes sociais, tem nos revelado o que alguns dos nossos vizinhos, amigos, familiares ou colegas de trabalho pensam sobre assuntos delicados como racismo, homofobia, machismo, misoginia, direitos humanos, inclusão social, uso de violência e, principalmente, discursos de ódio disfarçados de "liberdade de expressão". A rede digital que poderia unir, por outro lado, também pode afastar e até mesmo iniciar conflitos e guerras. Estamos todos sendo julgados diariamente, não pelo juízo final, mas sim por likes, comentários e compartilhamentos de humanos que se escondem atrás de máquinas.
Diante desta perspectiva (ou possibilidade), cabe à arte e aos artistas desempenharem o imprescindível papel que a história e os deuses sempre lhes reservaram, que é o de trazer luz e reflexão para a sociedade. A arte tem o poder transformador de unir, resgatar e transmutar tudo aquilo que não pode ser explicado, mas sim, que precisa ser sentido. A arte pode tocar lugares e corações que há tempos estavam esquecidos ou adormecidos. A arte é o amor em movimento e, se usada com sabedoria, a tecnologia pode potencializar o seu alcance e também o impacto social/digital.
A missão atemporal da arte é o da revolução, seja nas ruas, nos museus, nos protestos, nos filmes, nas galerias, nas canções, peças teatrais, poemas, textos, lambe-lambes, croquis, pinturas, vídeos, exposições ou intervenções artísticas. A arte é sempre libertadora e pode desaprisionar toda e qualquer mente.