Criada em 2011 por Marilia Pasculli e João Frugiuele, a produtora cultural usa a tecnologia como suporte para sugerir um novo olhar sobre as produções artísticas, que surgem em plataformas digitais, democratizadas em eventos gratuitos e espaços públicos.
O que, na opinião de vocês, os projetos da Verve Cultural têm em comum?
Nossos projetos têm como característica comum o livre acesso. Seja pela idealização de eventos em espaços públicos ou pela ausência de ingresso pago, promovendo assim a interação democrática entre arte, cultura e tecnologia.
Como a tecnologia entra no trabalho de vocês?
Tecnologia é o suporte da linguagem, e deve estar a favor da arte para complementar, evidenciar a experiência artística e o aspecto humano que nos integra. No nosso trabalho, reforçamos que a obra digital deve estar além da admiração e da facilidade da tecnologia. Pautamos sempre ‘o que a tecnologia pode fazer pela nossa prática artística’, em vez de ‘como nossa produção pode servir à epopéia da tecnologia.’ O ‘ethos’ da curadoria desenvolvida nos projetos da Verve Cultural busca ir além de um reconhecimento tecnológico demonstrativo e do objetivo de mostrar a tecnologia, pois considera que a dimensão humana vem antes do técnico.
Qual a relevância da arte digital, hoje, dentro do cenário das artes visuais e dentro dos eventos que vocês realizam?
A arte digital é uma linguagem atual, intuitiva, que estimula o engajamento do público massivo com questões de relevância social de maneira divertida, além de promover a ocupação dos espaços públicos.
Onde vocês buscam inspiração?
A maior inspiração e motivação vem das ruas, andando entre pessoas, pelas vias…É muito interessante e grati cante observar a reação de desconhecidos com um elemento novo no espaço urbano. Buscamos sentir e entender como as pessoas se relacionam e se reconhecem nesse universo em que as camadas entre o real e virtual se cruzam e se sobrepõem em ritmo crescente.
Quem/quais são suas principais influências?
Nossas influências são muitas: artistas precursores da optical art e da arte cinética, como Victor Vasarely, Rafael Soto, Le Parc. Tivemos a honra de trabalhar com nomes que nos influenciam, como Julian Opie, Lev Manovich e o brasileiro pioneiro da arte digital, referência em bio arte Eduardo Kac. Também somos muito influenciados por curadores, escritores e críticos. Impossível não citar as idéias de Paul Virillo em qualquer um dos nossos textos e pesquisas curatoriais. Costumamos dizer que os livros lançados pelo Public Art Lab são nossa ‘bíblia’, pois concentram artigos de curadores como Susa Pop, Martin Bryskov e da nossa parceira em curadoria, a teórica Tanya Toft. Mas nossa principal influência em arte digital urbana certamente é o Rafael Lozano-Hemmer. O traço mais marcante dessa in uência acredito que seja a execução de projetos em grande escala, em grandes centros urbanos.
Qual a diferença entre a arte mostrada num espaço aberto e público e a arte exibida num museu ou galeria?
Historicamente entendemos o museu como um lugar onde há uma série de referências históricas, que supostamente formam nossa identidade, assim como agentes intermediários que auxiliam a compreensão da obra para as pessoas. Já no espaço público, todas essas camadas de interpretação não existem, o expectador tem uma reação imediata e direta com a obra. Evidenciar esse encontro genuíno da obra com o público em situação rotineira no Brasil é fundamental, pois a maioria da população nunca esteve em um museu ou centro cultural.
Quais dos projetos que já fizeram até agora consideram os mais importantes/interessantes?
Certamente a criação da Galeria Digital do SESI-SP é até o momento o projeto mais importante, pois por ser a primeira media façade na América Latina nos abriu muitas portas e contato com profissionais que também atuam nessa área. Em 2012, eram poucos os profissionais que se dedicavam à arte digital urbana, ainda mais em grande escala. A Galeria colocou São Paulo no mapa mundial das cidades que integram media façade ao seu tecido urbano, até hoje o projeto é citado em matérias internacionais.
O que buscam quando montam seus projetos visuais?
Projeção (em qualquer escala) e LED são plataformas, e a escolha da plataforma muitas vezes é posterior à escolha dos argumentos a serem abordados e dos artistas, enfim da curadoria. Porém, é uma escolha crucial e determinante. Durante o dia, por exemplo, projeção não funciona, então optamos por plataforma LED e pensamos num formato e resolução de LED que melhor integre ao local e à estética do artista.