Unindo tecnologia, realidade virtual e ficção científica a meios de expressão analógicos como a pintura, a artista visual Lauren Moffatt gosta de correr riscos e criar histórias que transitam por diferentes dimensões.
Qual foi o seu primeiro contato com a arte?
É difícil dizer exatamente, mas foi muito cedo. Eu era uma garota sensível e criar era meu porto seguro, algo em que eu podia me apoiar mesmo quando tudo à minha volta parecia confuso.
Onde você busca inspiração?
Nas obras de ficção científica dos anos 70 e 80, especialmente na literatura de Ursula K. Le Guin, Isaac Asimov e J.G. Ballard. A concepção de futuro destes artistas traz tecnologias e formas arquitetônicas muito divertidas de serem imaginadas. Se fico desmotivada ou sem ideias, leio Vermilion Sands, de J.G. Ballard.
Qual é a sua obra favorita até agora? Por quê?
Se tivesse que escolher, acho que seria The Oculist Reason, porque aprendi muito durante o processo de criação. Foi meu primeiro trabalho de realidade virtual, minha primeira tentativa de criar algo que não fosse ficção, além de ser o ponto de partida para meus trabalhos atuais. Foi um ótimo exemplo da importância de se correr riscos.
Como a tecnologia influencia sua arte?
As histórias ou a lógica dos ambientes que eu crio são frequentemente inspiradas pela tecnologia e por diferentes aparelhos. Gosto de construir narrativas que funcionam como sistemas.
Qual obra de arte tem um significado especial para você?
Um amigo me presenteou com um desenho incrível, a lápis, de uma cidade imaginária, quando estávamos no ensino médio. Ele ainda decora uma das paredes da minha casa e é uma de minhas obras favoritas.
Você acha que a realidade virtual poderá modificar a arte?
Sim, pois oferece as ferramentas certas para que o artista realize um trabalho imersivo e bem detalhado. E as obras podem ser transportadas facilmente, o que reduz bastante os custos logísticos e a quantidade de obstáculos financeiros do processo de distribuição. Isso pode ser uma grande oportunidade tanto para artistas como para o público em geral. Atualmente, o número de pessoas que têm acesso a essas ferramentas é muito pequeno, tornando-os privilegiados. Por enquanto, ainda não é uma forma de arte muito democrática.
Por que trabalhar com diferentes formas de arte é importante para você?
Gosto de criar histórias que existam em várias dimensões, então transito por diferentes modos de expressão. Também gosto de variedade no estúdio, dividindo meu tempo entre o computador e atividades que exijam mais atividade física, como pintura ou filmagem.
Você acredita que a tecnologia esteja ajudando as pessoas
a se expressarem artisticamente?
Provavelmente sim. Pelo menos, as pessoas estão usando elementos da linguagem visual e codificada para se comunicar e isso pode ser entendido como um tipo de expressão artística.
Como é o seu processo criativo?
Levo cerca de três anos para terminar um projeto desde a ideia original até a versão final da obra. Então, geralmente, estou trabalhando em várias coisas ao mesmo tempo. Gosto de fazer muitas experiências e aprender coisas novas sempre que possível. Procuro conversar com pessoas que admiro e saber o que pensam sobre o meu trabalho. Tento sair do óbvio e correr riscos.
Qual é o futuro da arte?
Acho difícil fazer previsões. Gostaria de ver mais dessa fusão de elementos tradicionais como desenhos e escrita, com elementos de temática nerd, como programação de computadores e exploração de equipamentos eletrônicos. Gosto também da sensação de inclusão que existe quando vários artistas estão trabalhando juntos, aprendendo uns com os outros e inovando. Me faz crer que ainda é possível encontrar soluções criativas para as dificuldades que nos cercam em todos os aspectos.