A jornalista, ex-diretora de redação da revista Capricho e da italiana Colors, criou em 2012 a Mesa (até o ano passado, Mesa & Cadeira), um projeto que reúne especialistas com diferentes repertórios para, em cinco dias, encontrarem a solução para um problema, que pode variar de um arco-íris para um artista a um protótipo de um novo produto de uma multinacional de cosméticos.
Qual é a melhor definição para o que a Mesa faz?
A Mesa é um esquema de trabalho desenhado para resolver problemas complexos, destravando o potencial humano para executar mais, melhor e mais rápido. Quando as pessoas se conectam e se apaixonam pelo trabalho, se relacionam de um jeito tão prazeroso que conseguem chegar à solução. Elas mudam a chave do cérebro da crítica para a ação.
O que você leva em conta para escolher cada profissional que compõe o time de um projeto?
Precisamos de profissionais fazedores, gente que está na linha de frente de empresas ou projetos próprios, que aprendeu errando. A Mesa não é um exercício, é um espaço de tomada de decisões. Pessoas não acostumadas a estarem na linha de frente têm menos prática em tomar decisões, e isso tem um impacto enorme.
Onde você renova seu olhar?
Sou ávida leitora de ficção, não leio quase nada de não ficção. Tenho ouvido muitos audiobooks também, caso do A Sport and a Pastime, do escritor americano James Salter. No papel, estou lendo Quando Fronteira (ed. Patuá), da minha amiga e poeta Cândida Almeida. Sou mãe de três crianças pequenas (seis, quatro e dois anos), e vê-las descobrindo o mundo me renova muito. Na Mesa, estou sentada a cada semana com gente de universos diferentes, apaixonada pelo que faz. Também aprendo muito.
Quem são suas principais influências femininas?
A Maria Popova, do blog brainpickings.org, é minha ídola, talvez a pessoa que melhor faz uma curadoria da vida. Ela tem essa mistura de paixões por ciência e poesia, duas coisas muito importantes para mim. E tem duas mulheres referência, para quem olho e penso: quero ser assim quando crescer. A Cindy Gallop é uma titã da publicidade, mas a conheci como empreendedora, com o seu makelovenotporn.com, site que quer mudar a maneira como as mulheres encaram o sexo. Já a Esther Perel conheci no ano passado, e ficamos amigas. Ela é psicoterapeuta (referência em terapia de relacionamentos, tem um podcast chamado Where Should We Begin), e me ajuda a navegar nas escolhas de uma mãe profissional.
Há alguma solução surpreendente que você possa dividir, surgida de uma Mesa?
Em 2015 fizemos uma Mesa com o artista holandês Berndnaut Smilde. A viagem dele é reproduzir fenômenos naturais de forma artificial. Havia três anos que ele tentava criar um arco-íris. Conseguimos em cinco dias. Gosto muito desse exemplo porque prova claramente o que é a Mesa. A gente não é sobre criar uma ideia, mas sobre entregar uma solução.
Qual o futuro que você imagina para a Mesa?
A gente começou um processo, em março passado, de ensinar a fazer a Mesa: abrimos o método para o público. Criamos uma plataforma de ensino online, a mesa.school [toda em inglês, onde se pode comprar o curso por US$ 189]. Estamos criando também um aplicativo e fazendo o Leader Session, sessões presenciais para ensinar a aplicar o conceito. Queremos cada vez menos ser proprietários, e cada vez mais ajudar as pessoas a resolverem seus próprios problemas.