Seis projetos, entre marcas de moda, beleza e acessórios, feira de novos estilistas e produtos feitos localmente de maneira artesanal, unem design contemporâneo às práticas de sustentabilidade, refletindo o futuro do consumo high-end
Costa Brazil
Depois de ocupar o cargo de diretor criativo da linha feminina da Calvin Klein por mais de dez anos, o brasileiro Francisco Costa está à frente de um novo projeto, dessa vez na indústria da beleza. Lançada no final de 2018, a Costa Brazil é uma marca de skincare de luxo, mas também sustentável, vegana e livre de testes em animais. Baseada na f ilosofia de que a beleza é inseparável da saúde do planeta, a marca se propõe a desenvolver fórmulas tão puras e naturais quanto possível, sem parabenos, silicone, sulfatos ou corantes artificiais. Os três ingredientes essenciais para os quatro produtos (um óleo facial e um corporal, uma vela e resina de Breu) à venda no e-commerce da marca – breu, óleo de cacau e óleo de Kaya, esse último cultivado exclusivamente para a Costa Brazil – foram escolhidos por Francisco depois de um período de imersão na floresta amazônica, quando fez pesquisa sobre ativos com uma equipe de cientistas, ao lado de agricultores e cooperativas locais, levando em conta as sabedorias e tradições regionais. Reforçando seu compromisso com a sustentabilidade, as matérias primas dos produtos da Costa Brazil são colhidas da natureza apenas quando caem no chão, evitando que árvores sejam cortadas no processo.
Flavia Aranha
Uma das pioneiras da criação de moda que alia design apurado e sustentabilidade, Flavia Aranha não tem clientes, mas um grupo considerável de seguidoras fiéis, e não à toa. Com dez anos de marca, a estilista formada na conceituada (e conceitual) Faculdade de Moda Santa Marcelina, faz tudo com muito apuro e sem pressa. Seu tingimento natural é fruto de parcerias com comunidades de mulheres de várias partes do Brasil, que ela visita pessoalmente, aprende, ensina, troca. Criou há alguns anos uma lavanderia de tingimento na única loja que possui, na Vila Madalena (SP). Usa algodão e linho orgânicos em suas peças quase sempre lisas, amplas e atemporais. Em 2019, participou pela primeira vez de uma semana de moda, o São Paulo Fashion Week. Sua coleção mostrou como é possível aliar comércio justo, processo artesanal, parceria com cooperativas regionais (marchetaria do Acre, algodão orgânico oriundo da cooperativa Justa Trama, do Ceará, e da marca Natural Cotton Color, da Paraíba, entre outras) a um estilo de roupas sofisticado. Além do endereço em São Paulo, as peças estão à venda no ecommerce do site Flavia Aranha e em dois pontos de venda em Portugal, o primeiro em Lisboa e outro recém-inaugurado em Cascais, ambos dentro da loja multimarcas de produtos brasileiros Casa Pau-Brasil.
Carandaí 25
Criado em 2013 no Rio de Janeiro, o Coletivo Carandaí 25 é uma feira conhecida por valorizar as pequenas marcas de moda carioca. “Nossa curadoria é toda feita em cima dos novos talentos. Priorizamos o acabamento, a qualidade e a construção de uma identidade. Muitas vezes, a gente analisa o material, observa que é um trabalho bonito, mas percebe que aquela marca ainda está crua. Então oferecemos uma espécie de curadoria, deixando claros os pontos em que precisam evoluir para a entrada no evento”, conta a empresária Tatiana Accioly, idealizadora do projeto que teve sua primeira edição dentro de sua própria casa, no Jardim Botânico, na rua que deu nome ao coletivo. Com mais de vinte edições realizadas no Rio de Janeiro, o último Carandaí 25 teve como tema a sustentabilidade, com setenta grifes artesanais e participações de marcas de outras regiões do Brasil, como a marca paulistana Aluf, além de cariocas que nasceram e cresceram dentro do evento, como a Âme, a Augustana e a Krya. Isabela Capeto, Martu e Glorinha Paranaguá, marcas cariocas consagradas, participaram em caráter especial, com coleções feitas a partir de reaproveitamento de materiais. Em 2020, o Carandaí 25 desembarca em Comporta, Portugal, durante o verão europeu.
Pége
Com sapatos totalmente artesanais, a Pége nasceu e fez sucesso com um único modelo em couro, inspirado no babouche, tradicional sapato marroquino, desenhado pelas amigas e designers Patricia Giufrida e Mariana Adjuto, e confeccionado num sapateiro de bairro. Três anos depois do lançamento da marca, o Cora segue sendo o hit da Pége, com variações apenas na cartela de cores, entre neutros e candy colors. Além dele, a marca tem mais dois modelos de sapato e dois de bolsa. Hoje tocada por Patricia, a grife é vendida na multimarcas Pinga, em São Paulo, no site próprio da Pége, no e-commerce Shop2gether e na loja Mi Store, em Barcelona. O estilo é minimalista, descomplicado e versátil, sem deixar de lado o conforto e o rigor no acabamento, que são as bases da grife. Patricia faz questão de fotografar ela mesma boa parte das campanhas e editorias da Pége e se prepara para promover projetos de imersão com artesãos locais ao redor do Brasil, a fim de criar novos modelos para as próximas coleções.
Bottletop
Num ateliê em Salvador, lacres de latinha de metal reaproveitados se transformam no material artesanal e sustentável característico da Bottletop, marca britânica de luxo criada em 2002 por Cameron Saul e Oliver Wayman. Nascida de uma bolsa feita para a Mulberry (seu fundador, Roger Saul, é pai de Cameron), a Bottletop usa a técnica brasileira do crochê com anéis de latas de alumínio entrelaçados com couro produzido em áreas de desmatamento zero na Amazônia em todos seus modelos de bolsas e acessórios. Além de priorizar a sustentabilidade e as práticas conscientes no universo da moda, a Bottletop também tem a responsabilidade social como um de seus pilares. A marca oferece treinamentos e capacitações para a comunidade no ateliê brasileiro e financia a Bottletop Foundation, organização que apoia projetos criativos com foco em saúde, educação e empoderamento de jovens. Em 2019, a grife mergulhou em mais um projeto: lançou a campanha #TOGETHERBAND em parceria com a ONU, em que o lucro das vendas de pulseiras feitas com os lacres de metal e plástico retirado dos oceanos é revertido para projetos relacionados aos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas.
Arapuru
Desde o seu lançamento, em 2016, o Arapuru, primeiro gin london dry com DNA brasileiro, vem chamando atenção em solo nacional. Projeto do eslovaco Mike Simko, apaixonado pelo Brasil e radicado em São Paulo desde 2013, a bebida tem receita assinada pelo distiller inglês Rob Dorsett, tido como um dos melhores do mundo, com suporte de Erik Lorincz, mestre da coquetelaria internacional. Por acreditar na beleza da alquimia e na riqueza única na nossa biodiversidade, a dupla escolheu especiarias como caju, puxuri, imbiriba, pacová, limão-cravo e zimbro, para compor a receita do gim Arapuru. Estimular a ousadia e intelecto brasileiro e fugir de estereótipos também faz parte da proposta da marca, que está sempre ligada no que há de mais interessante e atual no país. Por isso, acaba de unir forças com dois proeminentes designers brasileiros: Rodrigo Othake, que está à frente do projeto do novo bar móvel do Arapuru, inspirado na arquitetura modernista nacional, e André Namitala, fundador e diretor criativo da grife Handred, que assina os novos aventais da marca, além de acessórios que em breve estarão à venda no site.