Todos têm influência
Para vivermos em melhores condições, devemos consumir mais parafernálias e lixo? Não: os objetos, via de regra, exercem um papel de apoio, porém a forma como são projetados, construídos, utilizados e cuidados influencia muito a vida das pessoas. O foco do design é, em grande parte, em serviços e sistemas, não em coisas. É assim que colocamos as pessoas, e não os acessórios, de volta ao centro da discussão.
Em um mundo com menos coisas e mais pessoas, ainda precisaremos de sistemas, plataformas e serviços que permitam que essas pessoas interajam de maneira mais eficaz e prazerosa. Essas plataformas e infraestruturas demandarão alguma tecnologia e muito design. Pequenas ações de design podem ter grandes efeitos. Muitos designers estão se empenhando em serviços e sistemas que são radicalmente menos prejudiciais ao meio ambiente e mais socialmente responsáveis do que os que temos atualmente.
Oitenta por cento do impacto ambiental dos produtos, serviços e infraestruturas ao nosso redor são determinadas pelo design. As decisões de design moldam os processos por trás dos produtos que utilizamos, os materiais e a energia necessária para produzi-los, o modo como operamos no dia a dia e o que acontece com eles quando perdem a utilidade. Esses designers são agentes capacitadores de mudanças, que envolvem grandes grupos de pessoas.
Se a sustentabilidade é o nosso objetivo, o que exatamente essa palavra significa e como será a vida quando atingirmos esse objetivo? Quais estratégias de design nos levarão daqui até lá?
O lixo é extraordinário, porque o que consideramos lixo não é lixo. Muitos designers, ao utilizarem essa matéria descartada, entregam um novo produto ou serviço e geram mudança na sociedade, fazendo-a enxergar beleza onde não haveria.
A Casa Ibirapitanga (curadoria de design consciente) lançou o Guia do Design Consciente – (editora Trilha Educacional) para promover novos relacionamentos entre as pessoas que criam os objetos e as pessoas que os utilizam. O “nós”, nesse contexto, é importante. O designer precisa refletir sobre a quantidade de energia necessária em todo o processo: desde a fabricação e distribuição até o ponto de utilização de um produto, material ou serviço.
E, por último, é importante incorporar e praticar a ideia de que OBJETO É PARA USO, E NÃO PARA POSSE! A cada segundo realizamos escolhas, independentemente da função que ocupamos neste planeta chamado Terra. Todos somos responsáveis, desde a criação, até o consumo e o descarte de algo que usamos. Todos têm influência!