África em ascensão
Braço de um coletivo de fomentação da cultura negra de diáspora africana, a BSAM Brasil é um polo digital de intelectuais e criativos que foca na colaboração como alternativa ao mercado hegemônico.
Fundada em 2015, nos Estados Unidos, a Black Speculative Arts Movement (Movimento das Artes Especulativas Negras) é uma comunidade digital global de intelectuais, criativos e artistas da África e da diáspora africana que procura apresentar, promover e apoiar a imaginação especulativa centrada no ser humano para catalisar correntes de novos pensamentos que almejam uma sociedade inclusiva no futuro. O projeto nasceu por intermédio de dr. Reynaldo Anderson, dr. John Jennings e Sheree Renée Thomas, grandes conceitualistas do Movimentos de Especulação Negra em articulações com a UNESCO e a Organização das Nações Unidas (ONU).
A comunidade chegou ao Brasil em 2021, quando um dos fundadores convidou Zaika dos Santos para participar do movimento. Ela, que é fundadora e CEO da empresa Afrofuturismo Arte & STEM, colabora com seu conhecimento sobre inteligência artificial, NFT, Web 3.0, entre outros. O braço nacional da BSAM também é gerido pelo vice-coordenador Guilherme Xavier, convidado devido a sua contribuição acadêmica e profissional.
“Atualmente, a comunidade conta com duzentos membros afrodescendentes e afroindígenas de todas as regiões do Brasil, sendo pessoas LGBTQIAPN+, mulheres cis, homens cis, PCDs, com produções autorais diversas. Ela se organiza por meio de sete grupos focais de produção e interesse, dentre os quais os membros se distribuem. São de escrita e literatura, artes visuais e digitais, moda, tecnologia, pesquisa, música, e interdisciplinares”, explica Zaika. Os participantes criam projetos nacionais e internacionais, além de ter forte atuação no meio digital.
Entre os trabalhos de destaque está a produção e execução de um desfile presencial (e inédito) de NFTs na Brazil Immersive Fashion Week (BRIFW), em novembro de 2022, além de um bate-papo e uma apresentação musical. Entre janeiro de 2023 e maio de 2024, os membros também participam da exposição Fall of the Weimar Republic: Dancing on the Precipice, que acontece no Carnegie Hall, em Nova York, focada em revisitar a explosão criativa de artistas no entre guerras de 1919-1933.
Para este ano, e os que estão por vir, Zaika afirma que a BSAM conta com diversos projetos programados, além da vontade de expandir os membros no país com convocatórias para novos grupos focais. “É um grande espaço de acolhimento e afeto. É na [organização de uma] comunidade que podemos nos olhar diferente do que o mercado cultural não estabelecido pela diversidade quer dizer para nós, onde nós nos enxergamos como eternos concorrentes”, diz.
“Quebrar a lógica hegemônica e construir um local seguro para, então, poder estabelecer o nosso foco de tempo para a nossa produção individual ou coletiva e, posteriormente, democratizar com a sociedade é fundamental”, diz ela, que reforça a transparência e o apoio mútuo como pilares fundamentais dessa perspectiva criativa. “Não somos cooptados por sistemas de produção que não nos interessam ou nos violentam, não fazemos abordagens de intervenção no processo criativo individual ou coletivo uns dos outros. Só assim conseguimos criar uma dinâmica de circulação coletiva.”
Em um país onde apenas 4% do lixo é reciclado, a RatoRói se firma como uma das empresas pioneiras no reaproveitamento de materiais para os mais diversos fins: desde óculos de sol até revestimentos para construção civil.